Casa Do Norte Dona Acarajé

Apesar do nome, o restaurante¬†Dona Acaraj√© re√ļne diversos¬†pratos e bebidas baianas no¬†Ja√ßan√£ desde 2017. ‚ÄúCorria na veia a¬†vontade de fazer o que eu conhe√ßo¬†que √© tamb√©m o que eu aprendi a comer: a culin√°ria baiana‚ÄĚ, conta a propriet√°ria, Tereza Cristina, de 38 anos,¬†moradora do Edu Chaves.

Nascida na Bahia, Tereza veio para S√£o¬†Paulo com 16 anos em busca de uma¬†condi√ß√£o de vida melhor. A trajet√≥ria¬†na cozinha come√ßou aos 19 anos, em¬†Campos de Jord√£o. Hoje, seu restaurante √© abrigo para aqueles que sentem falta dos ingredientes nordestinos no dia a dia. ‚ÄúEspero cada vez mais acolher esse grupo de pessoas e¬†fam√≠lias que possuem uma identidade¬†cultural em comum‚ÄĚ, diz ela.

Para os frequentadores, a nostalgia¬†est√° presente em cada garfada. A¬†refei√ß√£o feita ali possibilita que nordestinos e nordestinas de diferentes¬†origens revisitem suas terras natais.¬†‚ÄúO Nordeste √© uma terra muito rica¬†e bonita, mas as pessoas ainda t√™m¬†muito preconceito com esse territ√≥rio brasileiro‚ÄĚ, reflete Isabel Marques, 51 anos, nascida em Crato, no¬†Cear√°. Hoje, ela mora na Vila Mazzei.

O Bai√£o de Dois do Dona Acaraj√© √© um dos seus preferidos. ‚ÄúCom certeza esse √© um dos pratos mais saborosos e um dos mais pedidos no Nordeste‚ÄĚ, conta. Dependendo da fome, ele¬†serve de uma a duas pessoas (R$ 34).

√Č feito com arroz branco, feij√£o-decorda, piment√£o, carne-seca desfiada,¬†bacon defumado, cheiro-verde, queijo coalho, ovo frito, costelinha su√≠na e manteiga de garrafa.

A variedade de sucos naturais com¬†frutas t√≠picas da regi√£o √© outro atrativo. √Č poss√≠vel escolher entre os sucos¬†de caj√°, cupua√ßu, graviola, acerola, capim-santo com lim√£o, goiaba, laranja¬†e limonada su√≠√ßa, todos por R$ 8. De¬†quebra, o restaurante oferece caipirinhas e batidas nos mesmos sabores.¬†A batida Trem do Ja√ßan√£ √© preparada¬†com sucos de caju, lim√£o, vodca ou cacha√ßa e gelo (R$ 18).

A decoração dos espaços também tem muitas características do Nordeste. Em algumas paredes estão penduradas fitas do Senhor do Bonfim, amuleto típico de Salvador, capital da Bahia. Também é possível admirar os potes de diferentes tamanhos e cores com pimentas em conserva.

No jantar, os pratos mais pedidos s√£o as por√ß√Ķes e caldos. Tem caldo de mocot√≥, mocofava, mandioca com¬†carne-seca e caldo de peixe. Todos¬†saem por R$ 16.

O Dona Acaraj√© abre durante a semana das 12h √†s 20h. Durante os¬†fins de semana, das 12h √†s 23h30.¬†√Č um restaurante de f√°cil acesso,¬†de frente para o ponto de √īnibus¬†da rua Benjamin Pereira, na altura¬†do n√ļmero 804.

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Publicado em novembro/2019. Estamos trabalhando para atualizar as informa√ß√Ķes do local ūüôā

Bueno Bar

Quem se aproxima da esquina da avenida Antenor Navarro com a avenida Edu Chaves √† tarde ou √† noite, logo percebe a muvuca. √Č comum encontrar pessoas rindo, trocando ideias e compartilhando hist√≥rias na cal√ßada do Bueno Bar, embaixo das quatro palmeiras que rodeiam o lugar. Com duas entradas ‚Äď uma para cada avenida ‚Äď o acesso ao balc√£o do bar Ô¨Āca mais f√°cil. √Č um √≥timo ponto de encontro para se comer e beber ao ar livre.¬†

O card√°pio oferece 12 op√ß√Ķes diversas de por√ß√Ķes para quem quer compartilhar a comida e continuar conversando sem muita formalidade. Entre elas, est√£o as cl√°ssicas por√ß√Ķes de torresmo, de contraÔ¨Āl√© com mandioca e de salame. Para quem procura refei√ß√Ķes de maior sust√Ęncia, no card√°pio tamb√©m tem caldinho de mocot√≥, pratos feitos tradicionais (com op√ß√Ķes de mistura para acrescentar) e os pratos especiais, como o bai√£o de dois e a mocofava, um tipo de caldo de mocot√≥ com favas (uma esp√©cie de leguminosa, como o feij√£o). Os pre√ßos est√£o entre R$ 15 e R$ 50.

O baião chega à mesa quentinho e bastante perfumado. Ele é temperado com alho, sal, bacon, cebola, pimentão e manteiga de garrafa. Em cima de tudo, pimentas-biquinho. O resultado conquista a clientela. Na hora do almoço, o prato mais pedido é o baião tradicional (R$ 30), que também pode ser acompanhado de favas (R$ 32). 

‚ÄúCostumo vir aqui com a minha Ô¨Ālha de 12 anos. Sempre pedimos esse bai√£o porque, al√©m de ser gostoso, com um tempero incr√≠vel, alimenta at√© tr√™s pessoas. Fica uma refei√ß√£o barata. Gostamos de sair para comer, isso nos tira um pouco da rotina de s√≥ almo√ßar em casa‚ÄĚ, fala Silmara Monteiro, 41 anos, moradora do Parque Edu Chaves.

Empório Padre Cícero

O Emp√≥rio Padre C√≠cero, restaurante de comida nordestina sertaneja no centro de Jandira, regi√£o metropolitana de S√£o Paulo, √© a sede de uma cozinha que re√ļne sabores e fam√≠lias. O lugar preserva a mem√≥ria da cidade por ser uma das primeiras op√ß√Ķes de lazer jandirense e por permanecer h√° 38 anos no mesmo local.

‚ÄúFaz pouco mais de vinte anos que me mudei pra c√°. Sou de Santa Catarina e vim com meus filhos pequenos. Agora eles moram em Campinas, e nos √ļltimos anos temos nos reunido aqui. Mesmo quando meus irm√£os v√™m me visitar, a gente se re√ļne no Emp√≥rio. N√£o tem ga√ļcho na minha fam√≠lia que resista‚ÄĚ, conta Ivete Corr√™a, de 67 anos, cliente fiel do restaurante que, apesar de amar um bom churrasco, n√£o abre m√£o de se reunir no Emp√≥rio Padre C√≠cero para aproveitar uma boa comida do Nordeste.

Para Ivete, o destaque do cardápio é o escondidinho de carne-seca com uma camada de queijo derretido seguida por outra deliciosa de purê cremoso de mandioca com manteiga de garrafa. Por cima, a receita da casa traz conserva de pimenta-biquinho (uma das várias oferecidas) que, além de dar um aroma inconfundível ao prato, não arde a boca. 

A suculência e o vermelho intenso da pimenta-biquinho abrem o paladar para as próximas garfadas. O arroz soltinho, a couve frita na manteiga e o feijão de caldo grosso e bem-temperado não poderiam ser acompanhamentos melhores. Qualquer prato da casa no tamanho pequeno serve até duas pessoas, e os preços variam entre R$ 20 e R$ 40.

O estabelecimento possui ainda um empório onde o cliente pode comprar alguns produtos nordestinos, como rapadura, manteiga de garrafa e doces em conserva. 

‚Äú√Č no Ô¨Ām de semana que aqui Ô¨Āca bom, com m√ļsica ao vivo. O pessoal se anima e se diverte. D√° para trazer neto, Ô¨Ālho, sobrinho. √Č pequeno, mas sempre tem espa√ßo para mais um‚ÄĚ, comenta Ivete sobre os dias mais movimentados, quando o restaurante contrata artistas sertanejos locais para tocar.

Restaurante e Lanchonete Amizade

Atualização em junho/2020: Este lugar está fechado temporariamente devido à pandemia de COVID-19.

O Restaurante e Lanchonete Amizade é um espaço destinado aos amantes de feijoada e samba. O local, próximo ao Rio Pequeno, na Zona Oeste da cidade, tem decoração que remete à cultura do agreste. Como prato principal, todos os sábados, serve a versão nordestina da feijoada.

Para acompanhar, h√° sempre uma roda de samba ao vivo, composta por cinco m√ļsicos que variam entre o samba-can√ß√£o, com ritmos lentos e letras rom√Ęnticas, e o pagode moderno, com uma agitada percuss√£o.

Cristina Augusto, 52 anos, dona do lugar, afirma que a ideia de abrir o neg√≥cio vem da vontade de unir as fam√≠lias da comunidade, de oferecer um espa√ßo a onde as pessoas possam ir e ouvir boa m√ļsica, juntas. ‚ÄúCada vez menos voc√™ encontra lugares para sair para comer, se sentar ou levar as crian√ßas. Por isso, junto com meu irm√£o e com a ideia de manter a tradi√ß√£o de feijoada com roda de samba que acontecia aos s√°bados na nossa casa, criamos o restaurante. A feijoada √© uma receita caseira de fam√≠lia e por isso se torna √ļnica. Tem esse nome para ser um lugar de fazer e aprofundar amizades‚ÄĚ, diz.

A famosa Feijoada da Amizade tem diversos cortes de carne, costelinha e pé servidos com um suculento feijão-preto e acompanhados de toucinho, arroz e couve. Dá para até três pessoas e sai por R$ 37.

Patr√≠cia Alves, 28 anos, mora em Taipas, Zona Noroeste da cidade, e se desloca todos os s√°bados com seu companheiro para comer o prato, o que para ela √© uma viagem no tempo at√© a comida de sua av√≥ e √†s origens de sua fam√≠lia pernambucana. ‚ÄúA comida aqui √© bem temperadinha e caseira, mas a feijoada √© de longe o melhor prato da casa e a melhor que j√° comi. O ambiente √© bem acolhedor‚ÄĚ, conta.

‚ÄúVoc√™ vem aqui uma vez e gosta da comida e das pessoas; na segunda, j√° se sente em casa. Eu sempre procuro trazer meus filhos, pois √© um espa√ßo onde sinto que eles querem estar comigo e fico perto deles‚ÄĚ, afirma Walter Ferreira, quarenta anos.

Durante os outros dias da semana, os clientes podem escolher a m√ļsica que querem ouvir em um jukebox ‚Äď uma m√°quina de m√ļsica em estilo antigo ‚Äď, que pisca luzes coloridas e toca desde um pagodinho at√© um rock mais pesado. O restaurante tamb√©m agrada jovens e f√£s de fast food, com lanches e por√ß√Ķes de batatas e mandiocas fritas.

Agência Solano Trindade

Atualização em junho/2020: Este lugar está fechado temporariamente devido à pandemia de COVID-19.

Funciona na Ag√™ncia Solano Trindade o primeiro armaz√©m de alimentos org√Ęnicos da quebrada de S√£o Paulo. Foi criado em 2017 pela pr√≥pria galera da Ag√™ncia, a partir do entendimento da exist√™ncia de desertos alimentares na cidade, que faz com que as pessoas andem muito para encontrar produtos in natura.

No espa√ßo √© realizada a Feira Organicamente, √†s quintas e sextas-feiras, das 8h √†s 17h, e aos s√°bados, das 8h √†s 12h (acompanhe as redes sociais para a confirma√ß√£o da feira na semana). √Č poss√≠vel saber a origem do que voc√™ ir√° comer pela proximidade com quem cultiva. Os alimentos org√Ęnicos s√£o fornecidos por produtores locais de S√£o Louren√ßo, Parelheiros e Embu das Artes. H√° como reservar uma cesta de alimentos que pode ser entregue por toda a Zona Sul. Tudo fresco.¬†

Na maior parte dos eventos que acontecem na Ag√™ncia, quem prepara a comida √© Cleonice Maria de Paula, 55, a tia Nice. O destaque √© o Pastel de PANCs (Plantas Aliment√≠cias N√£o Convencionais). Entre outras op√ß√Ķes, tem o pastel de capuchinha com alho-por√≥, de berinjela e de cora√ß√£o da banana com almeir√£o. Os valores variam entre R$ 5 e R$ 8. Vera Lucia Pires, 69, aposentada, mora na mesma rua da Ag√™ncia Solano Trindade. ‚ÄúComi um pastel PANC (nunca havia experimentado) e gostei. Em outra ocasi√£o, comi um ravi√≥li ‚Äď se n√£o me engano de ricota com espinafre, ao molho sugo ‚Äď divino‚ÄĚ, conta.

Al√©m do pastel, tia Nice prepara refei√ß√Ķes como o nhoque de mandioca artesanal, que fica entre R$ 20 e R$ 30. Tudo √© feito com alimentos sem veneno, de produtores locais ou da pr√≥pria horta da Ag√™ncia.

Quem quiser provar a comida da tia Nice pode colar na Ag√™ncia Solano Trindade, na Vila Pirajussara, ou entrar em contato por meio das redes. A casa fica pr√≥xima do Terminal Campo Limpo: basta atravessar a rua do terminal, passar pela pra√ßa que d√° acesso √† rua Batista Crespo e ir at√© o n√ļmero 105.¬†

√Č uma √≥tima op√ß√£o para quem escolhe uma alimenta√ß√£o mais saud√°vel para a fam√≠lia toda. ‚ÄúEnquanto em muitos lugares determinados agrot√≥xicos s√£o proibidos, aqui no Brasil √© tudo liberado. Ent√£o, a gente de fato n√£o sabe o que est√° ingerindo‚ÄĚ, reflete Roseli Ezzy, 42 anos, professora de ingl√™s e moradora do Jardim Umarizal. ‚ÄúE eu tenho filho pequeno. Acho que para uma crian√ßa em desenvolvimento √© ainda pior consumir essa quantidade grande de veneno. Quando voc√™ come√ßa a consumir o produto org√Ęnico, voc√™ consegue sentir a diferen√ßa no sabor‚ÄĚ, conta ela.¬†

‚ÄúVoc√™ vai para os polos mais centrais da gastronomia e √© car√≠ssimo ter acesso a uma capuchinha, ora-pro-n√≥bis, a um peixinho‚ÄĚ, conta Alex Barcelos, 39 anos, articulador e produtor cultural da Ag√™ncia Solano Trindade, ao se referir √†s PANCs. ‚ÄúEssa riqueza temos aqui. A tia Nice, minha m√£e e outras mulheres perif√©ricas t√™m esse resgate do hist√≥rico da cultura alimentar. S√£o coisas que eram tradicionais dentro da periferia. Antigamente, as nossas senhoras, nossas griots, sempre tiveram taioba e outras plantinhas no seu quintal‚ÄĚ, explica.

Cear√° Por√ß√Ķes

Ao sair do terminal Jo√£o Dias, n√£o √© dif√≠cil encontrar a rua do Cear√° Por√ß√Ķes. Agora, achar o bar j√° s√£o outros quinhentos. A rua √© uma ladeira e a cada passo tem um bar (√© s√©rio!). Contei oito bares ao longo da subida e, ao olhar dentro de cada um, minha expectativa aumentava junto com os meus passos. Enquanto o pensamento j√° estava na comida que iria saborear, olhava o ambiente ao redor e o pessoal dentro dos outros bares. Mas e o Cear√°? Pedi informa√ß√Ķes para moradores e eles: ‚Äúlogo ali…‚ÄĚ, ‚Äúa tenda azul…‚ÄĚ e, no fim da rua, encontrei. Com garrafas de pinga de decora√ß√£o, o cheirinho do tempero do Nordeste, m√ļsica t√≠pica e o que a gente sempre v√™ em bares de bairro: pessoal na mesa tomando uma e jogando conversa fora.

De Or√≥s para a cidade grande, Jos√© Ferreira J√ļnior, mais conhecido como Cear√°, veio para S√£o Paulo em 1993 em busca de uma vida melhor. A hist√≥ria dele √© a mesma de outros 1,5 milh√£o de nordestinos que vieram para S√£o Paulo na d√©cada de 1990. √Č um costume bem paulistano chamar a pessoa pelo nome de seu estado de origem. Mas J√ļnior, nosso Cear√°, n√£o deixa de mostrar sua singularidade.

Ele mora na mesma rua desde que chegou. E foi lá que abriu seu estabelecimento em 2012. Em sua cidade natal, trabalhava na terra e sonhava em vir para a capital paulistana para trabalhar com comida. Durante 20 anos, ele e a esposa Marineide, que aprendeu a cozinhar com a mãe desde pequena, trabalharam em diferentes restaurantes até abrirem o seu próprio negócio.

‚ÄúVou abrir pra fechar‚ÄĚ, pensava Cear√°, sem f√©. Acreditava que n√£o aguentaria nem seis meses no local. Come√ßaram com uma loja de salgados.

Hoje, depois de alguns anos, oferecem um amplo card√°pio de comida nordestina com direito a galinha caipira, carne seca com mandioca e bai√£o de dois todos os dias, al√©m de mais de 30 op√ß√Ķes de por√ß√£o. O bar √© t√£o conhecido na regi√£o que, mesmo sem fazer entregas, os clientes encomendam e fazem quest√£o de buscar seus famosos pratos. Seu carro-chefe √© o peixe: a til√°pia frita e empanada servida com bai√£o de dois. ‚ÄúSe faltar peixe eu nem posso abrir‚ÄĚ, brinca Cear√°. O tempero de Marineide √© famoso, mesmo sem muito segredo: cebola, alho, coentro e cheiro-verde.

O casal faz o m√°ximo para todos sa√≠rem dali satisfeitos. N√£o s√≥ em rela√ß√£o √† comida, mas tamb√©m aos servi√ßos. ‚ÄúFiz o bar que gostaria que fosse copiado‚ÄĚ, relembra Cear√°. Ele montou um lugar aconchegante onde n√£o fez s√≥ clientes fi√©is, mas tamb√©m amigos. Quando fecha seu bar, vai em outro na mesma rua para beber com eles. Os clientes s√£o reunidos em um grupo no WhatsApp, onde recebem card√°pio, pre√ßo e hor√°rio de funcionamento
para ningu√©m ficar desapontado. ‚ÄúAgente t√° a√≠, na luta‚ÄĚ, define Cear√°.

Chubiba Bar

Quem passa pela avenida Hebe Camargo, principal via de Parais√≥polis, logo repara nas pessoas circulando em suas cal√ßadas, que fazem da avenida um verdadeiro local de lazer e ponto de encontro. Um dos principais points da regi√£o para saborear deliciosas refei√ß√Ķes √© o Chubiba Bar, bar e cozinha que tem trazido o sabor nordestino √† comunidade. Luiz Pereira, 45 anos, e Evandro Bezerra, 38, s√£o s√≥cios desde 2016. Juntos, decidiram abrir um bar e servir comida nordestina.

Luiz √© cearense, trabalhava como porteiro, mas como sempre gostou de cozinhar, assumiu a parte de fazer os pratos que seus clientes adoram. Evandro, pernambucano, passou a vida toda trabalhando de gar√ßom, outras vezes de ajudante cozinha; como n√£o poderia deixar de ser, ele √© o respons√°vel por atender e servir os clientes. Uma das refei√ß√Ķes mais pedidas √© a til√°pia frita inteira, acompanhada de salada e bai√£o de dois, que custa apenas R$ 30. Tamb√©m h√° sarapatel por R$ 15 al√©m de outras op√ß√Ķes como a galinha caipira temperada com sabor baiano, marinada no vinho. Seu principal segredo √© deixar a galinha descansando nos temperos de um dia para o outro ainda congelada e, para ficar mais saborosa e com o sabor da ro√ßa, √© servida acompanhada de pir√£o.

Atualmente, Luiz também trabalha como jardineiro na parte da manhã, pois o atendimento no Chubiba Bar só começa, de segunda a sexta, às 17h e, nos finais de semana, com a rotina mais  pesada, inicia às 10h. As entregas são feitas somente aos sábados e domingos, no bairro de Paraisópolis e arredores.

Ele conta que, em um dia, vende em m√©dia 60 peixes e que, de vez em quando, surgem surpresas, como uma fam√≠lia com cerca de 30 pessoas que, ap√≥s um batizado, foi comemorar l√° por saber da comida deliciosa. Sem aviso pr√©vio, ele teve que se virar para atender as 30 pessoas e mais as entregas que n√£o paravam. O local da alimenta√ß√£o √© ao ar livre, com mesas e cadeiras em frente ao estabelecimento. A cozinha √© aberta para que todos os clientes vejam como a comida √© preparada. O perfil dos fregueses √©, em sua maioria, de fam√≠lias que se re√ļnem a fim de comer uma boa refei√ß√£o. Amigos tamb√©m se encontram depois do trampo para beber uma breja, jogar papo fora e, claro, aproveitar as refei√ß√Ķes e por√ß√Ķes generosas.

Luiz e Evandro gostam do que fazem. E fazem com o aprendizado que ganharam na época em que viveram no Ceará e em Pernambuco, estados que têm em comum o sabor da típica comida nordestina.

Pedacinho da Bahia

Um sonho trouxe Josi, a rainha do acaraj√© de Heli√≥polis, direto da Bahia para S√£o Paulo. Batizada como Joanice Leandro dos Reis, teve uma vida repleta de dissabores. Por diversos problemas, quando crian√ßa a baiana teve que sair de casa. ‚ÄúDormia nas varandas alheias e pedia comida nas ruas‚ÄĚ, conta.

Ainda na inf√Ęncia, trabalhou em troca de comida e moradia. Era empregada dom√©stica e, entre uma folga e outra, observava sua patroa cozinhando e prestava aten√ß√£o em como ela temperava a comida. Al√©m de aprender como se preparava um acaraj√©, nascia tamb√©m o gosto por cozinhar.

Aos 21 anos, Josi decidiu que iria para S√£o Paulo realizar o sonho de viver do acaraj√©. O in√≠cio n√£o foi f√°cil: chegou com apenas R$ 23 no bolso. Morou em albergue e pens√Ķes e chegou a ouvir do dono de uma delas: ‚ÄúVolta pra Bahia!‚ÄĚ.

Enfrentou ass√©dio sexual e humilha√ß√Ķes, mas resistiu em permanecer na cidade. Com menos de um m√™s na terra da garoa, conseguiu dois trabalhos. Um de panfletagem e outro num restaurante, que, juntos, rendiam R$ 250. Assim, se mantinha e ajudava seus dois filhos, que ficaram na Bahia. Semianalfabeta, Josi contava com a boa vontade alheia para conseguir sobreviver na cidade. Ap√≥s se matricular em uma escola, um professor a ajudou na cria√ß√£o de um curr√≠culo, que a fez conseguir um emprego melhor. Com o primeiro sal√°rio, comprou o tacho, a colher de pau e alguns ingredientes para come√ßar. Depois de quatro meses, conseguiu montar sua barraca de acaraj√© no Museu do Ipiranga.

Ela se dividia entre vários trabalhos: durante a semana, em uma tecelagem e em um bar; o acarajé era feito aos finais de semana.

A restrição para a venda de alimentos na rua a expulsou do Ipiranga e Josi, então, seguiu para Heliópolis. Lá conseguiu alugar uma casa, mas a restrição para ambulantes chegou à comunidade e Josi passou a cozinhar num restaurante local, vendendo o acarajé em quermesses.

A comida ficava cada vez mais conhecida na quebrada e, com o sucesso do tempero e a força de amigos, ela alugou um espaço para montar o Pedacinho da Bahia.

Hoje, Josi produz aos finais de semana cerca de 60 acarajés tradicionais e no prato, além dos caldos, lanches, pastéis e sua também famosa feijoada. Você pode chegar, pedir e partir ou, se preferir, pode aproveitar para sentar, comer e observar o fluxo da quebrada.

Josi tem o dom do tempero que agrada das donas de casa √† galera do funk ‚Äď n√£o √© a toa que, aos finais de semana, o Pedacinho da Bahia fica a noite inteira aberto.

Acarajé da Baiana

Quem passa pela movimentada avenida Carlos Lacerda, no Jardim Rosana, divisa com Cap√£o Redondo, n√£o imagina que, em meio √† lojas e mais lojas, exista uma baiana vendendo acaraj√©. Uma dica √© ficar atento ao aroma caracter√≠sco, j√° que a baiana n√£o est√° caracterizada como de costume, com roupas brancas, guias e turbante. Mas √© imposs√≠vel n√£o saber quando Dona Meire frita os bolinhos feitos de feij√£o selecionado no seu original tacho de alum√≠nio. ‚ÄúAt√© mesmo quem n√£o gosta, vem experimentar e volta‚ÄĚ, conta a baiana que mora e vende acaraj√© h√° 20 anos em S√£o Paulo, sempre na mesma cal√ßada.

Foi por causa da religi√£o que Dona Meire escolheu n√£o se caracterizar para trabalhar. E sua escolha acabou aproximando o p√ļblico evang√©lico, al√©m do baiano. Ela j√° perdeu as contas de quantas vezes o lugar proporcionou o reencontro de familiares e amigos que vieram da Bahia. Tem vezes que a conversa fica t√£o boa que falta lugar pra sentar e espa√ßo em volta do fogueiro da Dona Meire. Mas n√£o que isso seja um problema: a barraca oferece marmitas para os clientes, dando conforto para quem quiser levar o acaraj√© para casa.

Foi com 20 anos de idade que Meire come√ßou no ramo do acaraj√©, ainda em Itabuna, sua cidade natal, no sul da Bahia. Come√ßou por necessidade e sobreviv√™ncia. Sua vinda para S√£o Paulo foi causada pelo desemprego do marido, Jos√© C√°ssio ‚Äď e, desde ent√£o, o casal segue servindo acaraj√© na cidade.

As quatro filhas e o filho mais novo decidiram seguir outras carreiras. O principal vínculo familiar que ela tem em seu espaço de trabalho é com o marido e o neto, que ajuda o casal. Para a avó, essa é a forma de Wesley Jonas entrar no mercado de trabalho. E para o neto, a barraca é uma forma de perder a timidez e fazer amigos.

Quando o assunto √© concorr√™ncia, a baiana se diz tranquila. Disse que j√° trabalhou ao lado de v√°rias baianas e nunca houve brigas por vendas. Por√©m, o marido afirma que existe uma diferen√ßa no mercado baiano e paulistano: ‚ÄúNa Bahia √© mais uni√£o e amor, aqui √© mais rivalidade e neg√≥cio‚ÄĚ.

Meire diz que h√° muitos boatos no mercado do acaraj√© e que muitos come√ßam a vender objetivando o lucro. Mas garante que com ela √© diferente: foi por ‚Äúprecis√£o‚ÄĚ e amor. Ela afirma que se n√£o tiver essa combina√ß√£o, o com√©rcio n√£o vai pra frente. E ela sabe sobre o que est√° falando. ‚ÄúQuem faz acaraj√© h√° muito tempo carrega isso como um dom‚ÄĚ, diz a baiana que faz acaraj√© h√° 36 anos (a mesma idade da minha m√£e!).

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Publicado em agosto/2018. Estamos trabalhando para atualizar as informa√ß√Ķes do local ūüôā

Cantina Teimosa

O nome Cantina Teimosa surgiu, segundo o dono, por conta da persistência que foi necessária para que o lugar existisse. Nascido no Piauí, Antenor vive em São Paulo há mais de 30 anos. Veio a trabalho. Ao sair do emprego em uma fábrica de vidros em São Bernardo do Campo, decidiu que abriria uma banca de jornal. Porém, por insistência de um amigo, acabou abrindo um restaurante de comida nordestina caseira, localizado na entrada do Jardim Limpão, um bairro construído por trabalhadores vindos do Nordeste do país, que prestavam serviço nas fábricas dos municípios do ABC paulista.

O restaurante Cantina Teimosa, ou Teimosinha, como é conhecido, foi inaugurado em 2012 e já tem uma clientela bem fiel, atraindo moradores do centro de São Bernardo e de municípios vizinhos, como Mauá e Santo André.

Antenor conta que, ao vir para São Paulo, não imaginava abrir um comércio relacionado a comida, apesar de algum conhecimento na área. Em seus empregos anteriores, participava de palestras sobre alimentação e agregou esse saber à culinária oferecida no restaurante.

Pratos como frango à passarinho, feijão tropeiro, carne de panela e galinha caipira são os mais pedidos. A feijoada, que a mãe costumava fazer no Piauí, também está incluída no cardápio com muita variedade de sabores do nordeste e faz sucesso às quartas e sábados. Como todos os pratos, o modo de preparo da feijoada é artesanal: é feita com alho frito e picado na hora e preparada pela manhã, para tirar o excesso de sal do jabá e cozinhar bem todo feijão.

As carnes são escolhidas pela qualidade, ainda que sejam mais caras. A galinha caipira, por exemplo, é comprada em uma granja que Antenor conhece e, por isso, consegue verificar de perto a higiene do local.

Entre uma pergunta e outra, s√£o v√°rias as interrup√ß√Ķes de clientes e conterr√Ęneos que fazem quest√£o de cumprimentar Seu Antenor e receber em troca um forte aperto de m√£o acompanhado de um sorriso largo. Simpatia, cheiro de comida de v√≥ de dar √°gua na boca, cadeiras e mesas de madeira e sossego comp√Ķem esse restaurante que celebra os sabores do Nordeste.

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