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A comida da tia Alaíde é tão gostosa que une evangélicos e adeptos do candomblé

Texto por: Mel Oyá | Fotos por: Jaqueline Melo

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Tia Alaíde, como é conhecida no Jardim Alzira, faz, todo ano, uma festa em homenagem a São Cosme e São Damião (no candomblé são Ibeji: orixás crianças e gemêas, um menino e uma menina, brincalhões e protetores). Ela prepara, com ajuda das filhas e sobrinhas, um farto almoço para a criançada de casa e também do bairro. Embora seja uma festa religiosa dos terreiros de candomblé, muitas crianças, vizinhos e até parentes evangélicos – um detalhe: só na rua de sua casa existem mais de três igrejas protestantes – vêm comer da comida maravilhosa da Tia Alaíde. De sobremesa, um bolo, com cerca de um metro de comprimento, encerra a festa. “Convidar as crianças para comer à vontade é uma maneira de agradecer a tudo que Deus me deu”, diz Alaíde.

Desde pequena, em Jacobina, interior da Bahia, Alaíde via seus familiares se reunirem na cozinha. Aos 16 anos, começou a trabalhar como babá e teve que aprender por conta própria a cozinhar para outras famílias – foi quando desenvolveu suas artimanhas e se tornou uma verdadeira alquimista da comida. Foi o que lhe garantiu a sobrevivência quando chegou em Itaquera, na zona Leste de São Paulo.

Junto com sua cunhada, a baiana foi vender salgados para os comércios do bairro. Na época, a coxinha era o sucesso de vendas. Com frango temperado com alho, cebola, açafrão e cheiroverde picadinho, conta que o segredo para uma boa coxinha é sovar bem a massa até ficar soltinha. Pouco a pouco, as duas foram conquistando novos clientes e o repertório de Alaíde foi crescendo: dos quitutes baianos, ela aprendeu receitas hispânicas – por exemplo, o garbanzo, preparado com bacon e grão-de-bico – e até comidas veganas.

Em 2006, elas abriram uma pastelaria no bairro. O sonho foi crescendo e a pastelaria se transformou em um espaço que funciona à noite, a Pizzaria Melo, e ao lado, fazendo parte do mesmo estabelecimento, o Bar do Gueto. É lá que Alaíde põe em prática sua experiência na cozinha. O destaque ali são as famosas panquecas, com recheios de carne moída e molho de tomate fresco com cebola roxa, ou escarola com alho frito e queijo mussarela derretido. Também fazem sucesso as feijoadas de quarta-feira, que podem ser light, só com carnes menos gordurosas, ou bem-servida com linguiça calabresa defumada, jabá e torresmo picado.

O Bar do Gueto abre de terça a quinta, das 9h30 às 23h, e de sexta a domingo o horário se extende até à meia-noite. O espaço também recebe encomendas, o que permite que qualquer um leve pra casa uma comida que tem sempre um cheiro-verde fresquinho e também um “xêro” de cumprimento da baiana que consegue unir as diferenças pelo estômago.

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